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Deixe-me te conhecer Natural Vibe

Deixe-me te conhecer!

Uma das coisas que mais gosto na vida são os seres humanos, me encanta conhecer as pessoas, desde pequena sempre gostei de observar as multiplicidades e particularidades das pessoas em geral, suas histórias, os traços do rosto, os cabelos, formatos de corpo, estilo, trejeitos, sotaque, cheiros…

Não é a toa que me formei como Psicóloga e exerço meu ofício com extremo prazer, me dedico a conhecer profundamente as pessoas e auxiliar que as mesmas possam se conhecer melhor e por fim aprimorarem a si mesmas. Essa é minha missão nesta vida que me preenche de uma forma inenarrável.

Estive por 7 anos seguidos em relacionamentos longos que se sucederam sem pausa para respiro, e quando saí da casca do ovo há pouco mais de um ano, encontrei um mundo novo. O mundo do qual eu ouvia falar no consultório e nas rodas de amigos, mas nunca havia experienciado, um mundo de gente travada, traumatizada, que vive com o freio de mão puxado, um mundo onde as pessoas estão na “retranca” o tempo todo, se protegendo, se esquivando, paradas da beira da piscina colocando as pontinhas dos dedos dos pés para ver se água está fria.

Não posso julgar, eu mesma me comportei assim quando saí do casulo… é o mundo de um oceano de possibilidades com uma gota de profundidade.

Não concordo com a queixa que tanto ouço: “as pessoas não querem namorar ou se relacionar”, pois acredito que isso ocorre com o tempo e não é uma decisão do tipo, “agora eu quero namorar porque estou cansado”, é uma decisão que vai vindo aos poucos quando você se permite conhecer alguém e no processo de conhecer esse alguém, as pessoas vão curtindo, vão gostando e consequentemente vão se comprometendo.

Neste tema, a primeira queixa é a própria indisponibilidade, tanta gente pra conhecer que não se conhece ninguém… a segunda é medo de sofrer, a terceira é não querer perder a liberdade. Não sei você que está lendo, mas eu me sinto muito mais livre quando tenho alguém que me inspira do meu lado, não tem liberdade mais gostosa do que ter uma boa parceria onde você fica confortável em ser você mesmo e ter o prazer de curtir coisas deliciosas que só a intimidade permite.

Um sinal de evolução é aceitar as pessoas como elas são, isso inclui nós mesmos. E, isso é um aprendizado maravilhoso, enquanto nos relacionamos, não só vamos nos deliciando conhecendo as particularidades, manias e detalhes da pessoa que está ao nosso lado, mas vamos também nos conhecendo melhor. De uma forma nítida evoluímos muito mais como seres humanos quando estamos nos relacionando.

Porém isso está se tornando algo raro, porque o processo de se “conhecer” alguém não está ocorrendo, as pessoas de um modo geral não estão permitindo se conhecerem, é uma pressa desenfreada em se manter ocupados “administrando” tantos encontros simultâneos que é impossível conhecer alguém de verdade.

A queixa número um que mais ouvi durante anos é a da “falta de propósito na vida”, que trocou recentemente de lugar com a queixa número dois, “problemas de relacionamentos…” O psiquiatra George Vaillant diz que existem dois pilares da felicidade: “Um deles é encontrar o amor, o outro é encontrar uma maneira de lidar com a vida que não afaste o amor”. Concordo com o George, e se no fundo todos querem se sentir amados como vamos chegar lá se não nos permitimos ir além do terceiro encontro?

Há um tempo atrás dei uma entrevista que tinha como tema: “Existe vida fora do game?”, que “game”é esse? É aquele chato pra caramba, da superficialidade a todo custo, de só responder o whatssapp depois de 40 minutos, de não ficar online enquanto se conversa para não mostrar que está muito disponível, aquele onde não podemos dizer no final da noite “adorei sair com você”, aquele onde não marcamos de sair de novo logo em seguida para não mostrar tanto interesse, aquele onde estamos com ao menos 5 conversas simultâneas no whatssapp e todas com um ar de “date”, mas não vamos conhecer nenhuma daquelas pessoas, apenas nos distrair com elas e e massagear o nosso ego enquanto curtimos nossa liberdade não deixando ninguém nos conhecer, presos na ilusão de que se relacionar é se comprometer, e que se comprometer é se aprisionar e perder as possibilidades, mal nos damos conta que as possibilidades estão sendo todas perdidas a cada pisada no freio para não perder o controle.

Isso não é só uma crítica, é uma reflexão, imagine-se dirigindo um carro, uma bicicleta, um skate, uma moto… todos precisam atingir uma velocidade mínima para podemos sentir uma sensação de liberdade, de prazer, não é verdade? e eu também já pisei demais no freio antes dessa velocidade mínima.

Se existe vida fora do game? Não sei… e me compadeço do sofrimento de tanta gente interessante que está tão inserido nele que nunca parou para pensar como deve ser a vida lá fora, ou mesmo das pessoas que já não querem mais este tipo de interação mas que também não acreditam que haja uma porta de saída… eu não sei se essa porta existe, mas se não existir eu terei que criá-la, porque esse “game” onde não se perde mas também não se ganha, onde ninguém sofre demais e também ninguém goza demais, eu não jogo mais.

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Publicado em: 13 de novembro de 2017

Categorias: Todos

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